Projeto Final de Graduação : Requalificação Vila Itororó – Mudança de uso e Restauro

O objeto de estudo escolhido foi a Vila Itororó localizada na cidade de São Paulo, mais precisamente na Rua Pedroso, 238 – Bela Vista.
A vila foi construída em topografia irregular e sem um estilo arquitetônico definido, com a proposta arquitetônica “de ocupação do espaço público pela comunidade”. Hoje está em discussão pela Prefeitura de São Paulo qual será o destino do local. Em abril de 2015, a Vila foi aberta ao público, para que sua reforma fosse acompanhada por meio de visitas monitoradas. A previsão então era de que a vila fosse reaberta parcialmente reformada em 2016 e totalmente em 2018. Enquanto a reforma estivesse ocorrendo, estavam previstos exposições, seminários, oficinas e outras atividades culturais, a serem realizadas em um galpão anexo, localizado na Rua Pedroso.

 

Ao criar uma proposta de um projeto cultural e social para a Vila Itororó, busco um destino pleno à um local que guarda tanta memória. O bairro do Bixiga onde esta localizada, carrega uma bagagem cultural imensa que não pode ser perdida. Uma galeria de fotografias, espaços de lazer, centro gastronômico e a retomada da habitação vem como uma faísca que falta para reerguer algo com tanto potencial que precisa de muito pouco para que se torne compatível aos dias de hoje.

A proposta de intervenção surgiu a partir de uma análise mais abrangente do distrito da Bela Vista. Bairro consolidado de ocupação antiga, é um setor que possui alta densidade populacional e grande diversidade presente em diversos aspectos: na morfologia urbana, usos, classes sociais, tipologias de edificação, etc. A partir dessa análise, identificou-se uma área específica do Bixiga, com quadras extensas, além da grande presença de cortiços assentados em uma topografia acidentada. Por ser uma área de ocupação antiga e, em sua grande parte, residencial em condições mais precárias, a infraestrutura é mais debilitada, faltam espaços públicos de qual- idade e algumas áreas estão degradadas – mesmo que as ruas sejam mais vivas. Segundo a Prefeitura de São Paulo em 2006 foi realizado um levantamento das condições de habitabilidade dos então moradores da Vila Itororó. Este levanta- mento foi feito através da parceria entre o grupo de pesquisa Vida Associada e o Escritório Modelo MoSaico, ambos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde foram analisados: o numero de cômodos e de pessoas por unidade habitacional e as condições das edificações no âmbito da estabilidade estrutural, das modificações construtivas e às condições de conforto e saneamento ambiental.
A Vila Itororó deve ser tratada como um todo, e não como casas isoladas, já que assim foi criada, como um conjunto.
Criando dentro do miolo de quadra áreas de permanência, com bancos e um projeto de paisagismo. A piscina se tornara um pequeno local para vegetação e vida marinha.
Os acessos a vila serão mantidos, já que isto a valoriza, o principal sendo pela Rua Martiniano de Carvalho, vencendo os 12 metros de desnível por um bloco de circulação de madeira e concreto, com elevador e escadas, que além de acessar o pátio principal , entrará em nível ao último pavimento do Palacete, onde se en- contra a galeria de fotografias. Também o acesso pela Rua Pedroso, atravessando o galpão onde acontecerá o centro gastronômico, com visão panorâmica da vila. Mantendo também o acesso pela Rua Monsenhor Passalaqua e Maestro Cardim. A busca de trazer de volta a habitação que sempre foi a maneira de existir da vila, e o motivo pelo qual ela foi criada, criando condições adequadas para os novos moradores, atendendo as necessidades de todos.

O Palacete como exposição de fotografias após análise patológica, o galpão como centro gastronômico e as outras construções como habitação, em condições adequadas.
Alguns desenhos mostrando o desenvolvimento do projeto e alguns exemplos de edifícios requalificados e restaurados.

Palacete – Exposição de fotografias

O Palacete sendo o primeiro a ser construído, tem uma arquitetura única, sendo designado para um uso cultural como uma galeria de exposições de fotografias, analisando o edifício e o contexto em que esta inserido, este foi o uso mais cabível, tendo no térreo uma pequena administração, midiateca, recepção e guarda volumes. Foi instalado um elevador dentro do edifício, e sanitários.
O restante dos pavimentos com salas de exposições dispondo de painéis. O acesso se da pelo nível do restante da Vila, ou pelo último pavimento chegando da Rua Martiniano de Carvalho pela passarela já existente. O edifício sendo inteiramente restaurado, após análise histórica e patológica, buscando retomar a memória perdida, sem criar um falso histórico. A estrutura reforçada com uso de estrutura metálica sendo a escolha menos agressiva para o palacete.

Galpão Gastronômico

O galpão comportará o centro gastronômico, com acesso principal e de serviço pela Rua Pedroso para recebimento de mercadorias para a refrigeração, e passando para a cozinha , preparação dos pratos e a distribuição para o restaurante, já no nível da vila, um pequeno café com acesso para o pátio principal e o restante das casas.
A estrutura original será mantida, com tesouras de madeira e lanternins, as telhas metálicas e translúcidas substituídas por não estarem em condições adequadas gerando iluminação natural.

Blocos de Habitação

Alguns desenhos dos blocos que foram destinados a habitação, todos passando por alterações internas para atenderem as necessidades, fachadas restauradas após análise patológica, levando em consideração a acessibilidade, estrutura e as fachadas.

Leave a comment