obras icônicas do brutalismo na América Latina

A arquitetura brutalista responde a um momento histórico. Terminava a Segunda Guerra Mundial e das cinzas surge uma nova forma de Estado, junto com um nova ordem global que vai incluir, com maior protagonismo, a Estados periféricos. A arquitetura brutalista nasce como resposta a ideias de estados benfeitores, estados robustos que vão sustentar e dirigir a nova sociedade de massas. Como disse o crítico Michael Lewis “o brutalismo é a expressão vernacular do estado benfeitor”.

Esta arquitetura com compromisso ético foi uma nova forma do Movimento Moderno alimentado por ideias socialistas. Apela à honestidade dos materiais e, particularmente, do concreto bruto, e de fato esse termo derivou de sua expressão em francês “beton brut” cujo uso foi impulsionado por Le Corbusier. Logo depois da guerra, o grande arquiteto decide focar-se em uma arquitetura social, o primeiro exemplo disso foi sua icônica Unité d’ Habitation, construída em Marselha em 1947. Trata-se verdadeiramente de uma obra de arte em forma de edifício, com uma combinação de cores à la Mondrian e uma ideia de vida comunal moderna que inclui jardins, comércio e uma piscina na cobertura. O edifício que marcou o início do brutalismo parece delicado em comparação aos exemplares esteticamente brutais que estavam por vir.

O concreto se apresenta nesse momento histórico, de alta necessidade construtiva com materiais de baixo custo, pouco pretensioso, utilitário, democrático e moderno, além de ter altas possibilidades técnicas. Com as novas tecnologias se atinge uma capacidade de moldagem que responde a todo tipo de fantasia estrutural e a uma nova capacidade de abarcar espaços enormes. Com isso, os arquitetos de meados do século XX conceberam estruturas gigantescas de concreto cru com um ritmo poético, escultórico, brutal e primitivo.

Apesar do nome ter sido cunhado pelo crítico inglês Reyner Bahnam, na tentativa de dar uma origem inglesa à tendência, o brutalismo se mostrou desde o início, nas mãos de Le Corbusier, em um fenômeno verdadeiramente mundial. Da Índia a Georgia, no Japão e nos Estados Unidos e, evidentemente, na América Latina, encontramos exemplos dessa arquitetura que teve seu momento áureo em nossa região nas décadas de 60 e 70, avançando às vezes até os anos 80. É interessante como essa arquitetura nos conecta esteticamente com o “Terceiro Mundo”, não sendo uma cópia de um estilo europeu, mas a adesão a um movimento global. É a periferia tomando protagonismo e tratando de juntar-se ao “desenvolvimento” e à modernidade. Aqui te apresentamos 10 edifícios icônicos do brutalismo na América Latina.

SESC Pompeia – Lina Bo Bardi – São Paulo, 1982

Centro de Exposiciones – Joao Filgueiras Lima – Salvador, 1974

Tribunal de Contas – Aflalo e Gasperini – São Paulo, 1971

Banco de Londres y Sudamérica – Clorindo Testa – Buenos Aires, 1966

Banco de Guatemala – Jorge Montes Córdova e Raúl Minondo – Ciudad de Guatemala, 1966

Fonte:http://katarimag.com/

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