Intervenções contemporâneas em museus históricos

British Museum

Um belo exemplo da resiliência da arquitetura do passado é o edifício do British Museum de Londres. O centenário museu neoclássico foi originalmente projetado e construído por Sir Robert Smirke em 1800. Mais recentemente, depois de passar por muitos anos esquecido, o Museu foi completamente transformado e remodelado, abrigando agora o seu mais impressionante elemento: o Great Court, projetado nos anos 2000 por nada mais nada menos que Sir. Norman Foster, um projeto que unifica as alas do museu criando um novo espaço de entrada central coroado por uma cobertura de vidro nem um pouco convencional.

Städel Museum

Originalmente construído no século XIX em estilo Grunderzeit, o Städel Museum foi remodelado e expandido em 2012 pelo escritório de arquitetura alemão Schneider + Schumacher. Contrastando com a estratégia do projeto precedente, os arquitetos propuseram uma intervenção praticamente invisível, que se desenvolve por baixo da terra e é somente compreensível pela geografia que as zenitais criam ao brotar na superfície verde do pátio. Este sutil projeto de intervenção pode ser compreendido mais como uma obra de land art que um projeto de arquitetura contemporânea, ainda que seja um belo exemplo de intervenção cuidadosa em um edifício histórico.

Royal Ontario Museum

A intervenção no Royal Ontario Museum é outra obra de Daniel Libeskind a constar nesta lista – embora não tão aclamada como o Museu Judaico. Praticamente vinte anos depois do projeto em Berlim, é possível ver desdobramentos de sua mais famosa obra no projeto para o Royal Museum no Canadá, o qual explora as mesmas formas cristalinas e afiadas para extrudar parte do programa do museu para fora do histórico edifício do Museu Real de Ontário. Construída originalmente em estilo neo-românico, a estrutura concebida por Frank Darling e John A. Pearson no século XIX foi expandida no ano de 2007 para incluir o novo edifício disforme criado por Libeskind, um espaço experimental que procura investigar conceitos de acessibilidade e os limites entre a esfera pública e privada.

MOMA PS1

Em 1997, Frederick Fisher and Partners foram os responsáveis por transformar este antigo edifício de uma escola construída no século XIX em um movimentado e vibrante centro de arte contemporânea. Mantendo todas as características fundamentais do edifício histórico, os arquitetos expandiram os seus espaços para fora, criando uma fachada que expressa claramente a nova função do complexo. Embora evidente, o projeto de expansão e remodelação é bastante singelo, evitando chamar mais atenção que o valioso conteúdo que abriga.

Museu do Louvre

O Louvre é um ícone, talvez o mais famoso museu do mundo. Sem sombra de dúvidas, é um dos mais belos exemplos de sobreposição temporal na arquitetura. O grande palácio barroco conserva características góticas de quando ainda era um castelo, além de intervenções renascentista e neoclássicas. No entanto, é no pátio principal do complexo que fica o elemento mais recente e simbólico do maior museu de arte da cidade de Paris e um dos maiores do mundo: a pirâmide de vidro concebida por I.M.Pei em 1989, uma nave espacial que foi detonada por boa parte dos críticos de arquitetura nos anos noventa para ser aclamada e aplaudida anos depois. A estrutura de vidro que parece brotar no chão da praça, procura invocar os espíritos da arquitetura monumental de outros tempos, entretanto, ela marca uma clara ruptura com os estilos precedentes e através deste contraste, re-significa a arquitetura do passado no presente.

Museu Judaico

Diferentemente do Museu do Louvre e do British Museum, a intervenção no Museu Judaico de Berlim, construída 1988 e talvez o mais famoso dos projetos assinados por Daniel Libeskind, consiste em um novo edifício forjado para conectar duas estruturas pré-existentes que compartilhavam apenas o subsolo. Embora o edifício histórico tenha sido mantido inalterado, a intervenção deconstrutivista de Libeskind destoa do contexto e ofusca qualquer outra arquitetura em um amplo raio de ação, ela representa uma nova interpretação simbólica da história do judaísmo após o fim da segunda guerra mundial.

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