Teatro Renault

O Teatro Abril – originalmente chamado de Cine-Teatro Paramount – é um edifício de grande significado cultural para a cidade de São Paulo e para a história das salas de cinema, devido ao seu pioneirismo na introdução do cinema falado na cidade, e pelos recursos técnicos dos quais o cinema era dotado, tanto em relação as instalações, quanto em relação aos equipamentos. Seu foyer e fachada do período art nouveau, tombados pelo patrimônio histórico, nos remetem à época mais elegante de seu endereço em São Paulo.

Inaugurado em 1929, o Cine-Teatro Paramount foi projetado pelos arquitetos Francisco de Paula Ramos de Azevedo e Francisco Augusto da Silva Rocha, e possui como estilo dominante a arquitetura eclética com forte influência Art Nouveau. No ano de 1969, o edifício foi quase destruído por um incêndio, e depois, foi dividido em quatro salas de cinema em diferentes níveis, configuração que permaneceu até meados da década de 1990, quando fechou as portas.

Em 2001, o teatro reabre sob o nome de Teatro Abril depois de mais de quatro anos fechado ao público. A empresa mexicana Corporación Interamericana de Entretenimiento (CIE) em parceria com o Grupo Abril, resolveu reformar o antigo Paramount e transformá-lo em um teatro moderno, com as características necessárias à apresentação de grandes musicais.

A empresa Racional Engenharia executou as obras da reforma e o projeto do teatro leva a assinatura de Roberto Aflalo, do escritório Aflalo & Gasperini, enquanto o projeto de restauro foi realizado pelos arquitetos Haroldo Gallo e Marcos Carrilho.

Segundo Aflalo Filho, a principal condicionante foi a preservação da fachada original e do saguão, resultando na demolição do restante do edifício, salvo duas empenas laterais, que tiveram sua estrutura reforçada. As cores fazem a interface entre o antigo e o novo. A restauração da fachada e do saguão do Teatro Abril, em processo de tombamento pelo Condephaat, foi desenvolvida por Haroldo Gallo e Marcos Carrilho. O palco, a plateia e as instalações e espaços de apoio foram reprojetados, para aumentar a capacidade da plateia e passar a ter condições de abrigar todo o aparato necessário às grandes produções.

A plateia passou a ter acentuada inclinação, privilegiando a visão dos espectadores e permitindo a criação de sanitários, bar e área para equipamentos. O limite da inclinação da plateia foi estabelecido pela altura do balcão existente, que foi preservado por fazer parte da estrutura do saguão principal, tombado.

O sistema acústico do teatro utilizou placas de madeira laminada nas superfícies refletantes e espuma sintética revestida por tecido nas superfícies absorventes para melhorar a transmissão do som por toda a sala.

A cobertura da plateia foi redesenhada recebendo, internamente, revestimento de proteção acústica para evitar o vazamento de som. O forro, em gesso, foi projetado de acordo com as condicionantes acústicas e, em seu “verso”, revestido de material apropriado à absorção do som.

O subsolo, que originalmente servia de estacionamento, passou a ser ocupado pela infraestrutura necessária aos artistas: camarins, sanitários, sala de maquiagem, além serviços como lavanderia, caixas-d´água, casa de bombas, casa de máquinas e oficina de manutenção.

Para a fachada do pequeno prédio anexo, de dois pavimentos, o arquiteto desenvolveu linguagem e pintura semelhantes à do teatro. O térreo foi ocupado pelas bilheterias, bar, loja de suvenires e café, enquanto no andar superior ficaram os escritórios da administração. No subsolo, estão os serviços técnicos.

Em 2012, a T4F Entretenimentos assinou contrato com a multinacional Renault dos direitos do nome do teatro e, novamente, o espaço foi rebatizado, passando a se chamar Teatro Renault.

Desde de sua reinauguração em 2001, como Teatro Abril, a casa tem oferecido os mais tradicionais musicais da Broadway e West End, como Les MisérablesO Fantasma da ÓperaO Rei Leão e Miss Saigon.

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