Sesc Pompeia

A cidade de São Paulo conta com 16 unidades do Sesc, espalhadas por diversos bairros e sempre muito ativas e cheias de atividades culturais, esportivas e sociais. Trata-se dos principais equipamentos de lazer paulistanos e são muito bem avaliados por seus frequentadores.

O Sesc Pompéia é a unidade mais conhecida, com arquitetura mais marcante e considerado um espaço único na cidade. Seu projeto é da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, muito conhecida pelo famoso projeto do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

O projeto do Sesc está diretamente ligado à história do local onde está implantado: nos anos 30 foi construída no local uma fábrica de tambores de óleo da empresa alemã Mauser & Cia Ltda. e durante a Segunda Guerra Mundial, ela acabou sendo abandonada e mais tarde, leiloada para a Indústria Brasileira de Embalagens (Ibesa), que implantou no local uma linha de montagem de geladeiras. Os galpões da fábrica tinham arquitetura inspirada nas indústrias inglesas do século XIX.

Em 1971, o Sesc comprou a fábrica e convidou Lina Bo Bardi para projetar o novo espaço, que descobriu que o edifício possuía sua estrutura moldada por François Hennebique, pioneiro do concreto armado. Diante disso, iniciou um processo de recuperação das paredes.

Lina Bo Bardi e sua equipe organizaram o projeto em dois grandes conjuntos consecutivos: a conversão dos antigos edifícios fabris para programas culturais e de lazer, e um novo bloco para atividades esportivas, distribuído em 2 torres prismáticas conectadas por 8 passarelas, e um torre cilíndrica de 80 metros, todos em concreto armado aparente.

O prisma maior possui cinco pavimentos, com oito metros e sessenta centímetros de altura entre pisos. Apresenta paredes externas portantes, com trinta e cinco centímetros de espessura, e não possui estrutura interna complementar. As janelas localizadas nas faces menores, leste e oeste, configuram aberturas irregulares.

O prisma menor conta com doze pavimentos que coincidem a cada dois com os pavimentos do prisma maior, tendo assim, quatro metros e trinta centímetros de altura entre pisos. Esse prisma está girado trinta e três graus horários em relação ao prisma maior. Suas janelas são quadradas e menores que as do prisma maior, mas não apresentam um alinhamento ortogonal.

Esses dois edifícios prismáticos são conectados em quatro pavimentos por passarelas em concreto protendido medindo 2 metros de largura, cada uma delas com um desenho diferente, mas seguindo as mesmas regras: partem de uma mesma abertura no prisma menor e se ramificam levando a duas aberturas simétricas no prisma maior.

O último prisma que compõe o conjunto é um cilindro formado a partir da concretagem de setenta anéis de um metro de altura cada. Este, une-se ao prisma menor através de uma passarela metálica que parte da sua cobertura.

Entre os galpões originais, existe um espaço que forma uma rua que serve de extensão da Rua Clélia, além de organizar os fluxos internos, e ao fundo do terreno, passa o córrego das Águas Pretas, que forma uma grande faixa onde não poderia ser construído nenhum novo elemento, tendo como solução a instalação de um deck, que serve como solário nos dias de calor.
O Sesc Pompéia possui aproximadamente 22 mil metros quadrados de área construída distribuídos em diversos usos: oficinas de arte, teatro, sala multiuso, 3 ginásios poliesportivos, vestiários, áreas para leitura, choperia, piscina coberta, solário, café/lanchonete, consultórios odontológicos, espaços de arte e tecnologia entre outros.

Inaugurado em 1982, o SESC Pompeia é resultado de uma complexa ideia de equipamento destinado ao lazer urbano, um patrimônio cultural, cuja preservação não foi feita apenas para salvar uma edificação do passado, mas para ressignificar essa construção, adequando-a às suas novas formas de utilização, atribuindo-lhe novos significados: o fazer cultural e a fruição da cultura.

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