Sala São Paulo

A estação Julio Prestes foi projetada em 1925. Por conta de contratempos de ordem econômica e política, como a crise do café, as revoluções de 30 e 32, a estação só ficou pronta em 1938, seu projeto original nunca foi totalmente concluído.

O arquiteto do projeto foi Cristiano Stockler das Neves, na época fundador do curso de arquitetura e diretor da Universidade Mackenzie.

Estacao julio prestes

A Sala São Paulo é a primeira sala de concertos do Brasil, até então não se tinha nenhuma.

O arquiteto responsável pela restauração e adequação da sala de concertos foi Nélson Dupré. Juntamente com uma consultoria acústica trazida dos Estados Unidos (Artec), ele percebeu que o salão médio não seria a melhor opção para se fazer a sala de concertos. Era muito próximo ao trem, portanto isso poderia trazer vibração para sala. Poderiam resolver isso colocando paredes de concreto, alterando o teto e fazendo algumas outras modificações, porém, não puderam ser feitas, já que o local é um patrimônio histórico tombado e não seria adequado mudar tanto sua estrutura.

Existia outro espaço que não possuía teto, era o jardim de inverno, que nunca foi transformado no Grande Hall, como planejavam inicialmente. Portanto, esse espaço foi escolhido, pois eles poderiam construir um novo teto sem afetar a estrutura original do prédio, além de que era um local mais afastado do barulho do trem.

Outras importantes adaptações feitas dentro da sala de concertos foram: a escolha do teto, o revestimento do piso, a adaptação dos camarotes, o palco, entre outros. Esses detalhes relacionados à boa acústica da sala São Paulo serão tratados no próximo capítulo.

A reforma geral, que transformou o prédio da Estação Júlio Prestes em um complexo cultural durou quase dois anos e custou em média R$44 milhões. Essa obra levou em consideração os mais modernos parâmetros de acústica e tecnologia conhecidos na época. O arquiteto, Neslon Dupré, pesquisou muito sobre os fatores necessários para uma acústica perfeita, e buscou conhecer outras salas de concerto, em diferentes países, reconhecidas mundialmente.
Paredes de vidro criadas para isolar o som da estação Julio Prestes da CPTM para dentro da sala de espetáculo.
A qualidade acústica da Sala São Paulo é inquestionável, rica em detalhes e tecnologia. Todos os elementos desse local foram pensados para tornar o som impecável.

O projeto de construção dessa sala foi repleto de complicações. O prédio foi tombado na década de 90 e é considerado um patrimônio histórico; isso dificultou muito o projeto, pois foi necessário muito planejamento a fim de se manter a arquitetura original, mas ao mesmo tempo, garantir a boa acústica.
Por esse mesmo motivo, surgiu a ideia de se fazer um forro móvel. Desse modo, o teto poderia ser regulado, garantindo qualidade sonora para diferentes tipos de composições musicais e, ao mesmo tempo, seria possível manter a arquitetura do prédio visível, quando desejável.

A Sala São Paulo foi a primeira sala de concertos do mundo em que se foi instalado um forro móvel. Este é de extrema importância para ajustes acústicos nas apresentações, porém não é apenas esse aspecto tecnológico que tornou esse complexo em uma das mais reconhecidas salas de concertos do mundo.
A característica mais marcante da Sala São Paulo é o forro móvel. Ele é formado por 15 placas, cada 3 blocos de madeira formam uma placa e cada uma delas pesa 7,5 toneladas.

Esse tipo de “teto móvel” traz uma vantagem muito importante para a sala de concertos: flexibilidade. Ajustando a altura de algumas placas é possível se ter um som de ótima qualidade para diversos espetáculos diferentes. Por exemplo: se um compositor escreve uma musica para ser tocada em uma catedral, ele a planeja para ser tocada num local com o teto muito alto. Se esse mesmo compositor fosse tocar sua musica em um lugar mais baixo, a qualidade não seria a mesma; na Sala São Paulo é possível fazer alguns ajustes e continuar com perfeita qualidade musical.

O projeto teve reconhecimento no Brasil e no exterior, no ano 2000. O United States Istitute for Theater Technology concedeu o Honor Award 2000 ao projeto de Ravitalização da Estação Julio Prestes e a construção da Sala São Paulo em três categorias: arquitetura nova, restauração e tecnologia de teatro. Também recebeu a Menção Hors Concours do Instituto de Arquitetos do Brasil.

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