“PARALELO ARQUITETURA E MODA: JAMES STIRLING E VERSACE: CULTO À PÓS-MODERNIDADE”

No dia 13 de abril fomos em uma palestra na FAAP, relacionando a moda com arquitetura, que tem tudo haver com a nossa proposta aqui no blog.
A palestra foi dada pela professora Heloísa Dallari. Ela iniciou a palestra contanto um pouco sobre o movimento pós moderno, e dizendo que tanto a moda quanto a arquitetura daquela época estavam ligadas à uma expressividade, a um estilo. Este conceito aparecia muitas vezes de forma variada.
Foi um momento de crise das ideologias, já que não daria mais para entender o mundo de uma ideia única, queriam deixar o funcionalismo e o racionalismo do moderno de lado.
Nesse tempo surge a pop arte, menos preocupada com a investigação estética , estando cada vez mais próxima da comunicação.
A arquitetura vem negando o funcionalismo do moderno, onde o edifício procura conversar com a população, carregados de símbolos, informações, mexendo com o modo de ver a arquitetura, quebrando com a monotonia da paisagem.
Nisso surgem algumas obras importantes, como o Portland Building de Michael Graves em 1982, com uso de novas cores, ornamentos, diferentes referencias a arquiteturas passadas.

Alguns anos antes, estava sendo inaugurada a Disneyland nos Estados Unidos, pós segunda guerra mundial, no ano de 1955.
Em uma época formada por uma sociedade de consumo, influenciada pelos meios de comunicação, um local feito de faz de conta, onde os sonhos se tornam realidade. Em Sidney no ano de 1981, alguns arquitetos se reúnem e afirmam que a Disneyland poderia ser a maior obra da época, simbolizando o american way of life.

Desde de a época de Maria Antonietta em Versalles, cansada de regras e mesuras, pede um espaço no jardim do Palácio criando locais diferentes da proposta do restante do edifício, já se buscava romper com o pensamento regrado.
Começam a surgir templos, casas de chá, reunindo locais e tempos diferentes. O movimento moderno nega a história , apenas usando o racional, já que os estilos tinham perdido sua “validade”.
Principalmente nos Estados Unidos, o homem pós guerra está diferente. A rejeição a pureza formal, dá origem a edifícios como o AT&T, atual Sony tower localizada em Nova York nos anos de 1984 pelo arquiteto Philip Johnson, criando uma torre convencional com outra maneira de se apresentar, um frontão incompleto, granito rosa, o que incomodava muito o moderno.

Charles Moore constrói a Piazza d’Italia em New Orleans, com pórticos semelhantes aos encontrados na Itália, usa a forma do país no piso, colocando a bota como parte da obra, cria um espaço arquitetônico que te remete a história mesmo não sendo um entendedor da arquitetura.

Os anos 60 precede a discussão de 80, representado pela Ville Savoye de Le Corbusier (1928) , onde nasce a ideia geométrica de abstração, uma materialidade industrial, onde a “forma segue a função”.

Em contraponto temos a obra de Robert Venturi na Filadelfia, onde constrói a casa de Vanna Venturi em 1964, uma obra rica em simbolismo, telhado, arco remetendo a entrada romana, introduzindo o que viria mais tarde que é o construtivismo.

O pós moderno pode ser dado como tendo de inicio em 3 momentos diferentes, o pós segunda guerra, pós queda do muro de Berlim ou ainda
segundo Charles Jendes (1972) quando um conjunto habitacional da época moderna Pruitt Igoe em St Louis (1954) dois anos depois de ser construído é implodido, por ter se tornado um local de formação de guetos e muita violência. Jendes faz uma ironia a busca do moderno de construções ideias e que trariam melhor qualidade de vida.

Após a introdução do pós moderno, vem a relação entre o arquiteto James Stirling e a casa Versace.
James Stirling ( 1926-1982) , vencedor do prêmio Pritzker, nascido na Inglaterra, pode ser considerado o protagonista do pós moderno.

Constrói o edifício sede para a Olivetti em 1971 fazendo referencias a Johnshon Wax Company de Frank Lloyd Wright de 1936-39 com uso de capiteis e pilares em cone.

New Staatsgalerie , é a ampliação de um modelo neoclássico em 1977-1984, criando referencias a arenas, uso de tirar coloridas como em Pisa, criando uma praça para a cidade, um espaço de convívio coletivo, mesmo citando o passado , introduz algo que virá a acontecer.

Gianni Versace (1946-1997), nascido na Calabria, Itália influencia a moda, nos anos 90, o desfile nas passarelas é vibrado, assimilado pela população assim como o pós moderno.

Em suas criações mistura elementos gregos com o rock ‘n roll. Roupas que permitem que você sonhe, roupas únicas que antes só eram adequadas a super modelos e celebridades.
Usa alfinetes no vestido, como enfeites. Foto da atriz , e modelo Liz Hurley em 1994. Toda a mídia queria saber de quem era este nosso estilo de fazer moda.

Usa a medusa como símbolo de sua marca, como luxuria, vaidade. Versace beatifica a figura feminina, as mulheres deveriam ser vistas como deusas.

versace

Viaja a Milão junto com Giorgio Armani para transformá-la em foco da moda. Em 1985 é convidado a fazer uma retrospectiva, em uma exposição no Victoria and Albert Museum, onde são expostos diversas criações do estilista.
Expõe roupas fazendo relação com o passado, com vestimentas romanas, gregas. Roupas vistas como joias.

Faz a dessacralização de figuras e símbolos como a criação deste modelo com os rostos de James Jim e Marlyn Monroe.

“Menos é mais” Mies Van der Rohe

“Menos é chato” Robert Venturi

“Mais nunca é suficiente” Gianni Versace

Na arquitetura/moda percebemos uma filosofia de criação, gosto por metáforas, ambiguidade pode ser vista em ambas.

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