Habitação de Interesse Social

Nesse período da faculdade, escolhi fazer um projeto focado na habitação social, e diante de todo meu interesse nesse tema, e pelo fato de, principalmente no Brasil de hoje, ser um tipo de habitação que acaba sendo visto como algo que não precisa ser pensado e de qualidade, resolvi trazer nesse post alguns projetos habitação de interesse social que podem servir de bom exemplo para esse tipo de construção.

No Uruguai, a produção da habitação social é feita a partir do sistema cooperativo. O movimento surgiu nos anos 60 a partir da iniciativa de um pequeno grupo de profissionais que conseguiu articular um modelo eficiente para possibilitar o acesso à habitação de qualidade à população trabalhadora. Em Montevideo, podemos destacar o conjunto Bulevar Artigas,  projetado pelos arquitetos Héctor Vigliecca, Ramiro Bascans, Thomas Sprechmann e Arturo Villaamil.

Sua implantação perimetral, junto aos lados de maior dimensão do terreno retangular, e a concentração dos serviços sociais no centro do conjunto fazem com que o espaço livre adquira um caráter urbano, sem que a altura das edificações seja opressiva, uma vez que as construções estão distantes umas das outras.

A característica fundamental deste conjunto é a flexibilidade funcional. Os edifícios foram organizados com um conjunto de elementos fixos (circulações horizontais e verticais, acessos a meio piso a partir do elevador, dupla orientação e núcleos sanitários), a partir dos quais foram modeladas diversas organizações funcionais, para atender as possibilidades e necessidades dos proprietários das 332 unidades habitacionais.

A escolha construtiva (estrutura em concreto aparente e fechamentos de alvenaria) determinou em parte o aspecto formal dos edifícios, que possuem características brutalistas.

Um outro exemplo de boa arquitetura de interesse social, ainda que no Rio de Janeiro, é o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy em 1947, para abrigar funcionários públicos do então Distrito Federal. Localizado no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro, o Pedregulho compõe a fase social da arquitetura de Reidy.

Na concepção arquitetônica do complexo, com 328 unidades, cada obra é definida por um volume simples, onde a forma indica a diferença de funções: o paralelepípedo destina-se aos prédios residenciais; o prisma trapezoidal aos edifícios públicos; e as abóbadas, às construções desportivas. A ideia era um conjunto que suprisse as necessidades dos moradores, com uma escola para crianças pequenas que ficasse a no máximo 5 minutos de distancia de todas as unidades e que conta com ginásio, piscina e auditório, um posto de saúde e um mercado.

Em todo o projeto foram utilizados recursos de proteção solar, e que favorecessem o conforto ambiental sem grandes custos, como o uso de cobogós, brises e inclinações nas lajes e paredes. Os edifícios residenciais contam com diferentes tipologias de unidades, que vão desde studios até duplex de 4 dormitórios.

Para manter a vista da baía de Guanabara para todos os apartamentos Reidy projeta uma grande construção sobre pilotis, que dribla o declive natural da área pelo uso de passarelas, e uma avenida posterior no topo do terreno, o que dispensa o uso de elevadores. Os pilotis de alturas variáveis constituem outra solução original empregada em função dos desníveis do solo. A peça-chave de todo o conjunto é o grande edifício construído no alto, de planta serpenteada, que acompanha as condições naturais do terreno.

Esses exemplos podem nos mostrar que a arquitetura de interesse social não precisa ser uma arquitetura sem qualidade e que não tenha como principal objetivo quem irá viver nesses locais. A qualidade deve ir desde o programa, que deve contemplar muito mais do que apenas a moradia, e sim o comércio local, educação, saúde, lazer, até a escolha dos materiais, que devem requerer menos manutenções e alta durabilidade, além de questões essenciais de conforto ambiental.

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