Bienal de Veneza 2018 – Pavilhão do Vaticano

A 16ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza traz, pela primeira vez, a participação do Vaticano. Com o pavilhão da Santa Sé, a cidade-estado convidou 10 arquitetas e arquitetos para projetarem capelas considerando remonta-las em outros lugares, levando em conta que algumas delas podem viajar após o fim da Bienal ou até mesmo serem reconstruídas em comunidades italianas, que foram vítimas de terremotos nos últimos anos.
As capelas foram construídas e dispostas para visitação pública em uma área arborizada da Isla de San Giorgio Maggiore, ao lado da famosa basílica do arquiteto Andrea Palladio, de 1573.

Normalmente, os pavilhões de países da Bienal costumam exibir versões, maquetes e esboços que documentam o projeto dos edifícios, mas o “Capelas do Vaticano” apresenta os próprios prédios já concluídos.
Sob a curadoria de Francesco Dal Co, historiador de arquitetura, nomes importantes foram selecionados para os projetos. Entre eles estão Andrew Berman, dos Estados Unidos; Carla Juaçaba do Brasil; Eduardo Souto de Moura, de Portugal; Eva Prats e Ricardo Flores – escritório Flores & Prats, da Espanha; Francesco Cellini, da Itália; Javier Corvalán, do Paraguai; Norman Foster, do Reino Unido; Sean Godsell, da Austrália; Smiljan Radic, do Chile e Teronobu Fujimori, do Japão. Esses arquitetos se unem a uma décima primeira capela, projetada pelo escritório MAP Architects. Esta última serve como um prelúdio para as demais capelas, ao mesmo tempo que reflete sobre o projeto de Gunnar Asplund para a Capela Woodland, de 1920.

O Pavilhão Asplund, como a Capela Woodland que o inspirou, pretende ser um “lugar de orientação, encontro, meditação e saudação”. O interior abriga uma exposição de desenhos de Gunnar Asplund para a Capela Woodland, acompanhada de documentos e modelos que ilustram sua concepção e construção. A jornada oferecida pelo Vaticano faz com que os visitantes encontrem 10 capelas simbolizando os Dez Mandamentos, mas que são, também, interpretações da Capela Woodland.

Asplund Chapel, MAP Architects

Javier Corvalán, Paraguai

Norman Foster, Reino Unido

Teronobu Fujimori, Japão

Eva Prats & Ricardo Flores, Espanha

Francesco Cellini, Itália

Eduardo Souto de Moura, Portugal

Sean Godsell, Austrália

Andrew Berman, EUA

Smiljan Radic, Chile

Carla Juaçaba foi uma das 10 selecionadas para projetar as capelas. A arquiteta brasileira contribuiu com uma capela que apresenta “a síntese dos elementos da igreja católica”, articulando a cruz e o banco para criar um espaço de contemplação em uma. Segundo a arquiteta, o projeto busca uma integração harmônica entre as águas e as árvores, com a vegetação local definindo o espaço da capela. O espaço entre as copas das árvores – a visão do céu – faz as vezes de cobertura da capela.

Carla Juaçaba, Brasil

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