Álvaro Siza Vieira

Estou passando uma temporada no Porto, em Portugal, e é impossível estar aqui sem perceber a presença tão marcante de Álvaro Siza na arquitetura da cidade – e do país como um todo.

Original de Matosinhos, distrito da cidade do Porto, Siza Vieira – como é conhecido por aqui – é um dos principais nomes da arquitetura portuguesa, sendo vencedor de diversos prêmios, inclusive o Pritzker de 1992. Atuando no Porto, é possível encontrar por aqui uma série de projetos assinados por ele, inclusive, é onde se encontra sua primeira obra construída: a Casa de Chá da Boa Nova. Nesse post, iremos falar sobre algumas de suas obras.
Construída sobre rochas que avançam sobre o mar, a Casa de Chá da Boa Nova foi concluída em 1963. É através das lajes e degraus integrados às pedras que o arquiteto constrói o percurso do usuário, onde a vista para o mar é revelada e ocultada. Da mesma forma, internamente, as aberturas foram pensadas para funcionarem como molduras para a incrível paisagem. Atualmente, o local funciona como um restaurante. Ainda não fui lá, mas já é um dos meus próximos planos.

Outra obra de Siza Vieira localizada na cidade do Porto é o Museu de Arte Contemporânea, localizado no Parque de Serralves e inaugurado em 1999. Construído de forma longitudinal Norte-Sul, o edifício possui um corpo central que se divide em duas alas separadas por um pátio. A disposição fluida dos espaços do Museu proporciona múltiplos percursos e pontos de vista. A sucessão de perspetivas longas sobre o interior do edifício e o exterior, sob a forma de “rotas de fuga” para os jardins, caracteriza a arquitetura.

Ex aluno da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Siza projetou seu edifício, que foi construído entre os anos de 1985 e 1996 e que se trata de um conjunto constituído por 10 volumes distintos entre si, mas que encontram uma identidade através da cor, opacidade e soluções construtivas. No projeto, o arquiteto fragmentou o programa original em diferentes edifícios. Na parte Sul, ficam localizadas as salas de aulas e ateliês, que, assim como grande parte de seus projetos, se utiliza da vista como ponto forte do projeto – no caso, a vista do Rio Douro – por se tratar de uma área que necessita de inspiração para a criação, criando uma forte relação entre os usuários e a natureza. Na parte norte, ficam localizados volumes lineares, que são ocupados por auditórios, biblioteca, além da parte administrativa. No projeto, o jogo entre ângulos retos e oblíquos é bastante presente, sobretudo nas circulações.

O Pavilhão de Portugal, localizado na cidade de Lisboa, na Foz do Rio Tejo, é composto por dois corpos: o Pavilhão propriamente dito, de planta retangular, e a Praça Cerimonial, uma ampla área aberta, coberta por uma fina cobertura de concreto – aqui chamada de Pala – de forma curva, que é a grande protagonista do projeto. Incrivelmente fina, a cobertura se apoia, sem esforço, entre dois pórticos robustos, onde o arquiteto busca, mais uma vez, enquadrar uma vista dominante da água. A enorme cobertura se estende por uma área de 70 por 50 metros, e tem apenas 20 centímetros de espessura, trazendo uma leveza impressionante quando vista de longe.

No Brasil, temos a Fundação Iberê Camargo, situada em Porto Alegre. Projetada para abrir um museu de arte moderna tendo como patrimônio principal a obra do pintor gaúcho Iberê Camargo. Trata-se de um edifício em concreto branco aparente, com um átrio interior de pé direito triplo ladeado por um percurso constituído por 3 rampas suspensas no exterior e 3 no interior. Tanto no seu exterior, como internamente, a obra se destaca por seu contraste entre curvas e retas, com corredores e rampas, simetria e assimetria.

E aí? Também ficou com vontade de conhecer cada uma das obras de Siza Vieira?

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